IV Colóquio Internacional sobre Povos e Comunidades Tradicionais em Montes Claros se consolida como um importante espaço de diálogo e articulação política na luta por direitos

GESTA/UFMG

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Entre os dias 30 de agosto a 02 de setembro aconteceu na Universidade Estadual de Montes Claros a 4ª edição do Colóquio Internacional Povos e Comunidades Tradicionais, que contou com a participação de cerca de 500 pessoas, dentre pesquisadores, estudantes e professores de Brasil, Alemanha e Suíça, lideranças de movimentos sociais e uma forte representação de povos tradicionais, sobretudo da região do norte de Minas. Dentre os povos representados estavam quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, faxinalenses, pomeranos, veredeiros, apanhadores de flores sempre-vivas e diversos grupos indígenas, que lutam por seus direitos, sobretudo ligados ao território e à regularização fundiária.

Com o tema “Estado, capital e territórios tradicionais: dinâmicas territoriais em disputa”, o evento teve como objetivo analisar o avanço do capital sobre os territórios tradicionais e se colocar como espaço de articulação dos diversos sujeitos, organizações e instituições que se ocupam desta temática. Segundo a coordenação do evento, dentre os principais objetivos do Colóquio, que acontece a cada dois anos, está a articulação entre pesquisa acadêmica, saberes tradicionais e direitos territoriais de povos e comunidades tradicionais.

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O evento contou com palestras, conferências, mesas redondas, espaços para diálogos e atividades culturais, com grande destaque para a participação de representantes de povos tradicionais em todos esses espaços, desde as místicas que abriam cada atividade, até oficinas, participação em todas as mesas e a conferência de abertura, feita por Ailton Krenak. Foram apresentados 158 trabalhos, dentre pôsteres e comunicações orais, nos eixos temáticos: Identidade, Migrações, Território e Cultura; Educação, Saúde e Saberes Tradicionais; Políticas Públicas, Sociobiodiversidade e sustentabilidade; Economias. Além da questão do avanço do capital sobre territórios tradicionais, foram discutidos temas como direitos humanos, educação popular e conflitos ambientais. Foram relatadas diversas experiências, pesquisas e denúncias, por parte de acadêmicos e lideranças de comunidades tradicionais e movimentos sociais presentes. O GESTA/UFMG (Grupo de Estudos em temáticas Ambientais) é um dos parceiros da iniciativa desde sua primeira edição. Neste ano, participaram do Comitê científico do Colóquio, mesas e oficinas o Prof. Dr. Aderval Costa Filho e a Prof. Dra. Andréa Zhouri, coordenadora do GESTA.

No encerramento do Colóquio foram aprovadas cinco moções a serem encaminhadas a diversas autoridades, e que tratam sobretudo da situação dos povos e comunidades tradicionais no Brasil no atual contexto político e macroeconômico, onde as forças do capital avançam violentamente sobre territórios e direitos desses povos.

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O evento é uma promoção da coordenação do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Desenvolvimento Social da Unimontes – em parceria com a Universidade de Kassel (Alemanha). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM) e os grupos de pesquisa Niisa (Núcleo Interdisciplinar de Investigação Socioambiental) e pelo Projeto Opará (Tradições, Identidades, Territorialidades e Mudanças entre Populações Rurais e Ribeirinhas no Sertão Roseano – Fapemig/CNPq) – ambos da Unimontes –, além da Igreja Suíça de Evangelização (Heks Eper).

Nos links abaixo estão as moções aprovadas no encerramento do IV Colóquio Povos e Comunidades Tradicionais. 

ARQUIVO 1 (MOÇÕES APROVADAS NA 30ª RBA (REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA), REITERADAS PELOS PARTICIPANTES DO COLÓQUIO)

MOÇÃO 1: PELA GARANTIA DOS DIREITOS ASSEGURADOS AOS POVOS INDÍGENAS, COMUNIDADES QUILOMBOLAS E COMUNIDADES TRADICIONAIS

MOÇÃO 2: CONTRA O DESMONTE DO APARATO DE GOVERNO QUE ASSEGURA A PROTEÇÃO AOS POVOS INDÍGENAS, ÀS COMUNIDADES DOS QUILOMBOS E AOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS E SEUS MODOS DE VIDA.

MOÇÃO 3: PELA GARANTIA DOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS, COMUNIDADES DOS QUILOMBOS E POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS EM PROCESSOS DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE OBRAS E EMPREENDIMENTOS QUE LHES AFETAM

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ARQUIVO 2:

MOÇÃO DE REPÚDIO AO PATROCÍNIO DA FIEMG PARA A REALIZAÇÃO DA
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SUL-AMERICANA TERRITORIALIDADES E
HUMANIDADES:

Moção coloquio FIEMG

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ARQUIVO 3:

MOÇÃO DE REPÚDIO À AFERIÇÃO DA AUTODECLARAÇÃO DE
CANDIDATAS E CANDIDATOS NEGROS EM CONCURSOS PÚBLICOS:

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