A Copa, a Cidade e a Vila: Um estudo de caso sobre a Vila Recanto UFMG
Neste trabalho, o autor argumenta que intervenções públicas urbanas ligadas a megaeventos implicam impactos para a moradia de populações pobres, explicitados em seu aspecto mais grave na remoção de favelas e, de maneira geral, confluindo com uma tendência de periferização da pobreza. Por meio de estudo de caso detalhado do conflito em torno da remoção da Vila Recanto UFMG, este trabalho procura apreender tais impactos. Construída informalmente em terreno abandonado a partir dos anos 1990, a Vila é sintoma do problema da moradia em Belo Horizonte e reflete as conseqüências do planejamento urbano modernista excludente. A partir principalmente do ano 2000, moradores da Vila Recanto UFMG, antiga proprietária do terreno e poder público travam um conflito em torno da legítima ocupação e organização daquele espaço, que, hoje, está sendo transformado para dar lugar a um viaduto justificado pelo megaevento de 2014. Apropriados por ferramentas empreendedoras de gestão e planejamento urbanos como uma oportunidade para divulgar a cidade no âmbito global, megaeventos impulsionam megaprojetos de regeneração urbana (embelezadora e infraestrutural), o que recorrentemente vai em contra moradias e grupos sociais tidos como prejudiciais à imagem da cidade.