Tempos de forja e de GESTA: um percurso acadêmico por entre ambiente, cultura e poder
Neste memorial, busquei enfatizar os tempos de forja e de gesta que marcaram meus quase dezoito (18) anos na UFMG. Segundo o Dicionário Aurélio, “forja” significa oficina de ferreiro, mas também trabalho, preparação, imaginação. Estar na forja é estar em preparação. Foram anos de labuta, de um artesanato intelectual intenso. E foram anos de “gesta”, principalmente. Esta palavra, ao mesmo tempo em que remete às narrativas épicas de acontecimentos ou façanhas históricas, contempla igualmente o significado de “dar origem a”, ou seja, fazer brotar e crescer dentro de si, criar. Neste sentido, penso que me criei professora, orientadora, pesquisadora, assessora, companheira de lutas, escritora, colega, intelectual e militante, enfim, pelas incontáveis vivências experienciadas ao longo dos anos na UFMG. As experiências acumuladas me revelaram que a conexão da extensão com a pesquisa apresenta enormes potencialidades no que se refere à articulação da produção do conhecimento com a transformação social. Destaco o aprendizado recíproco entre professores e alunos de várias faculdades, comunidades locais, órgãos ambientais, instâncias políticas de decisão, bem como movimentos sociais. Na perspectiva aqui apresentada, os projetos de pesquisa e extensão, assim como as matérias criadas e lecionadas, representam um esforço empreendido para se forjar uma maior transversalidade entre saberes acadêmicos e não acadêmicos dispersos pela sociedade, assim como gestar caminhos para a democratização, não apenas da universidade pública, mas também do acesso à natureza e ao meio ambiente, rumo a futuros de justiça ambiental e do bem viver.