O município de ferros à órbita da megamineração: disputas locais e o mineroduto Manabi em meio às flutuações do mercado financeiro e a rigidez do planejamento estatal

Com o movimento do governo brasileiro de re-primarização da economia e os interesses dos capitalistas, com o crescimento exponencial do preço do minério de ferro, a Bacia do Santo Antônio, sub-bacia do Doce, se tornou alvo de projetos da megamineração e de suas consequências. O projeto de mina-mineroduto-porto, chamado Minas-Rio, da Anglo American, foi instalado e já funciona, trazendo consequências nefastas para a população local. Agora, é a vez de outra empresa, a Manabi, investir em um empreendimento nos mesmos moldes de extração e exportação na região. A resistência local existe, mas os arranjos que possuem poder de decisão sobre o que irá acontecer se dão muito acima daqueles que a fazem. Por isso, um melhor entendimento das flutuações do mercado global do minério de ferro e do funcionamento do mercado financeiro, que financia esses empreendimentos, é de suma importância. Os interesses estatais por detrás da megamineração se utilizam do seu poder de legitimação e coerção para ordenar os acontecimentos a seu bel-prazer, e reflete na produção do espaço, aqui analisado o Plano Regional Estratégico em Torno de Grandes Projetos Minerários no Médio Espinhaço, encomendado pelo governo de Minas Gerais, em 2012. Finalmente, é urgente um melhor entendimento sobre a visão dos sujeitos locais quanto ao avanço da mineração, no município de Ferros e algumas comunidades nele inseridas, onde relações sociais e hierárquicas tornam mais complexa a apropriação dos locais sobre um território, onde a Manabi pretende rasgar com um mineroduto. Como se dará a relação dos sujeitos regionais frente aos interesses do capital financeiro à espreita de auferir cada vez mais lucros?

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