Representações da Natureza e Des-figuração dos Conflitos Socioambientais: A Publicidade dos setores Elétrico, Químico e Petroquímico entre 1982 e 2002
A presente dissertação objetiva demonstrar que a publicidade veiculada por segmentos degradadores do meio ambiente atua em duas frentes: de um lado, compõe uma imagem enaltecedora das empresas que exploram a natureza, e de outro, circula noções em disputa no interior do campo ambiental. O argumento utilizado busca realçar que a apropriação econômica da natureza é consubstanciada por significações simbólicas, que procuram hierarquizar os olhares sob a natureza, bem como legitimar iniqüidades na distribuição do
espaço ambiental. Desse modo, intentamos através da análise de anúncios publicitários dos setores elétrico, químico e petroquímico, veiculados nas revistas Veja e Exame entre os anos de 1982 e 2002, evidenciar como a visão econômica dominante dentro e fora do campo ambiental emprega as noções de desenvolvimento sustentável e responsabilidade social para legitimar o processo de exploração da natureza. A partir de uma perspectiva que concebe a publicidade como instrumento heurístico que auxilia na compreensão dos imaginários sociais (BRETON & PROULX, 2002; RIAL, 1999; SOULAGES, 1996), procuraremos elucidar as estratégias discursivas, imagens, cores e enquadramentos que se entretecem na consolidação
desse processo. Destarte, constatamos um ocultamento dos impactos sociais e ambientais e uma racionalização da natureza como lugar da geração de riquezas.