“Salve a Mata do Planalto” – Quando o Lugar resiste à Especulação Imobiliária
Belo Horizonte tem sido, durante toda a sua história, planejada e gerida sob um viés centralizador do Estado, o que propiciou em diversos momentos o livre curso das dinâmicas do mercado em determinadas áreas e restringiu as ações do setor imobiliário em outras. Assim, a cidade tem sido construída em processos excludentes e segregatórios, nos quais a população é forçada a agir de acordo com as ações do capital. É nesse contexto que surge o Movimento em Defesa da Mata do Planalto, ou Salve a Mata do Planalto, que vem se organizando para impedir a instalação de um condomínio de alto luxo em uma Mata que faz parte da história dos bairros próximos e da trajetória de vida dos moradores. Eles mostram como o lugar é importante e não foi sufocado pelo pretenso espaço homogêneo e globalizado: ao contrário, a memória do grupo e os vínculos entre eles são inflamados diante da ameaça de uma mudança drástica no modo de vida da população local e dialogam constantemente com questões mais amplas.